A arte de se comunicar é intrínseca ao comportamento humano e é tão natural quanto andar ou simplesmente falar. Diante de um novo mundo, onde o real e o virtual muitas vezes se misturam, outros meios de comunicação foram idealizados e, como resultado, temos hoje comunidades que interagem pela web, criando verdadeiras redes sociais.
Twitter, Orkut, Facebook,Blogs… São diversas as opções disponíveis na internet e que já contam com a participação de milhões de usuários. Recente matéria divulgada pela Folha Online (14/05/09), apontou que em abril de 2009, somente no Brasil, o Twitter cresceu 456% em acessos únicos, comparado ao mesmo período de 2008.
Outra pesquisa realizada pelo Ibope registra que o país possui 25,5 milhões de usuários residenciais de internet. Do total, cerca de 17,85 milhões utilizam a rede do Google, fazendo com que o Orkut (rede social administrada pelo Google) alcance, mensalmente, 70% dos internautas.
Apesar de muito conhecidas como canais de entretenimento, as redes sociais começam a tomar um novo curso e estão, cada vez mais, se inserindo no cotidiano corporativo. O crescente número de novos adeptos às redes sociais está permitindo que as companhias se utilizem das facilidades destas ferramentas online não somente para apresentar seus produtos e serviços, mas com foco na busca incessante sobre as opiniões destes internautas.
Segundo Amyris Fernandez, Coordenadora do Curso de Mídias Digitais da FGV e Diretora da Universidade Corporativa da Agência Click, as redes sociais representam uma nova era em que o relacionamento evoluiu para os meios virtuais. Mas, como toda linguagem que surge, ainda não é possível entender 100% sobre como ela funciona.
Assim, comparado ao mercado publicitário tradicional, no qual o planejamento de uma campanha avalia qual o foco da ação, em que mídias ela será veiculada e por quanto tempo, a exposição de uma marca em redes sociais deve respeitar alguns conceitos e as questões passam a ser: quem é o meu público, o que o motivou a interagir com minha marca e o que ele falaria do meu produto?
“Estas questões estimulam uma conversa, buscando essencialmente identificar quem está utilizando o produto e qual a opinião deste consumidor. Como este indivíduo está inserido em uma rede de relacionamento, é possível pensar como ele se comporta dentro do grupo, de acordo com as comunidades em que se insere. Dentro deste contexto, é preciso utilizar uma visão interdisciplinar, aplicando mídias integradas”, explica Amyris.
Na visão de Veruska Reina, CMO da Virid Interatividade Digital, as redes sociais têm transformado as relações entre empresas e pessoas, permitindo o compartilhamento dos seus interesses e pensamentos e abrindo oportunidades de diálogo entre si. E, com base na Internet, permite fomentar as informações de uma campanha ao integrar as mídias digitas. Um exemplo é combinar o poder do email marketing com o alcance das redes sociais.
“O email marketing tem papel fundamental nas redes sociais, pois trabalha de diversas formas, particularmente alinhadas ao perfil do público que se precisa atingir e, ainda, de forma muito mais detalhada. Ele faz um trabalho de engajamento, que pode ser percebido e aplicado quando encontramos em nossa caixa de mensagens um comunicado informando que um post foi comentado; ou alertas informando que um assunto que nos interessa foi citado por alguém, ou mesmo quando recebemos convites de amigos para participar de certa rede social. O email marketing atua junto às redes sociais em nosso favor e se explorarmos essa tendência permanentemente, os resultados são ainda mais efetivos”, avalia Veruska.
Ao contrário das campanhas tradicionais veiculadas pelas ações de email marketing, que têm como meta fazer com que a empresa fale com seu target, as redes sociais se popularizaram por seu embasamento na comunicação pessoal. O processo pode e deve ser inverso. O mercado corporativo passa a “ouvir” mais e atuar alinhado com o que seu público espera.
O sucesso de campanhas em que redes sociais e email marketing trabalham juntos está na capacidade de atingir os usuários com uma mensagem pertinente e interessante, estimulando o compartilhamento da experiência para que a ação se torne viral. “Você analisa as interações dos seus contatos que estão dispostas na web 2.0. Em seguida, enriquece sua base com as informações captadas, cria perfis com preferências semelhantes e, a partir disso, trabalha com ações de email marketing ainda mais atrativas”, completa Veruska.
Algumas agências digitais já atuam com a integração destes canais como forma de otimizarem seus diversos formatos de campanhas de marketing.
Para a iThink, agência focada em planejamento e estratégia digital, existem diversas formas de se utilizar as redes sociais em benefício de uma marca. Na opinião de Marcelo Tripoli, CEO da iThink, no mínimo, uma empresa pode monitorar o que está sendo falado sobre ela nessas redes, e atuar estrategicamente com objetivo de melhorar possíveis problemas.
Porém, o executivo ressalta que o mais rico das mídias sociais é o diálogo que uma marca pode estabelecer com seus clientes, podendo ainda gerar conteúdo e discussões, envolvendo e fidelizando cada vez mais o seu consumidor.
“A internet é um espaço democrático, onde as pessoas são livres para se expressar. Por isso, hoje em dia é certamente a mídia mais rica em conteúdo quando se fala da opinião dos consumidores sobre uma marca. É na web que as pessoas criticam, elogiam e desabafam”, avalia o CEO.
Um exemplo de mídias integradas na iThink é uma ação desenvolvida para a Volkswagen. A campanha conta com a criação de um banner no qual o consumidor digita seu nome de usuário do twitter. A partir deste “cadastro”, a conta do twitter do usuário passa a ser analisada e, baseada nos tweets postados, a empresa indica qual o melhor carro ao perfil do usuário.
“Outro exemplo, foi uma campanha fez uso do email marketing alinhado a uma ferramenta da Microsoft, que cria clusters dos usuários do MSN. O aplicativo permitiu a iThink fazer uma ação de email marketing segmentada em públicos específicos”, ressalta Tripoli.
Na visão de Luli Radfahrer, Professor da Comunicação Digital da ECA – USP, as pessoas sempre buscaram, entre si, informações sobre os produtos que querem adquirir. “Com os consumidores cada vez mais céticos, a busca por informação continua vigorando, porém, a tecnologia oferece uma rede de relacionamento muito maior. Diante deste cenário, as empresas reconhecem a importância e o poder da Internet, passam a apostar nas redes sociais e, consequentemente, a reaprenderem a dialogar com seus consumidores”.
Com vida própria, as redes sociais estão constantemente em transformação, se agregando em outras mídias e oferecendo novas oportunidades de negócios. Por isso, o mercado corporativo busca ajustar-se a essas aplicações, muitas vezes mesclando experiências conhecidas com as desconhecidas. Tentativas que muitas vezes viram cases de sucesso. Quem não se lembra das ações via redes sociais aplicadas na campanha presidencial de Barak Obama? Neste caso, o sucesso foi garantido. Quem mais se habilita?