Acompanhe a entrevista concedida exclusivamente para a VIRID com Cesar Paz, Fundador da ABRADi – Associação Brasileira das Agências Digitais –, fundada em 31 de março de 2009 e que chega com a missão de desenvolver, normatizar e aculturar o mercado de internet. Acompanhe as ideias e expectativas do presidente desta nova Associação sobre as ações do universo da comunicação online.
VI: Como a ABRADi foi idealizada? Qual sua principal função e como atuará?
CP: A fundação da Associação Brasileira das Agências Digitais (ABRADi) é uma decorrência da necessidade de juntarmos todas as entidades regionais (são oito no total: RS, SC, PR, SP, RJ, MG, BA e PE) sob um mesmo guarda-chuva para enfrentar alguns desafios que têm dimensão nacional. A principal função da entidade é ser referência e fonte em qualquer debate sobre projetos de comunicação para o ambiente digital. Devemos incluir nisso todos os processos de concorrência e licitações para contratação de agências para realizar o trabalho de comunicação digital, e toda legislação que restringe de alguma forma o uso da internet.
VI: Além das empresas de mídias digitais, quais são os outros segmentos interessados ou ligados a esta Associação e qual função elas têm?
CP: ABRADi é uma entidade plural, democrática e preocupada com toda a cadeia de valor do setor de comunicação digital. Vamos nos preocupar com as agências digitais, mas também com as empresas mais especializadas (empresas de games ou mobile, por exemplo) e também com os fornecedores de soluções.
VI: Qual será o principal desafio da ABRADi diante do cenário atual das mídias digitais?
CP: O principal desafio continua sendo o aculturamento de mercado, especialmente aos gestores de comunicação responsáveis pelo ambiente digital nas empresas.
A comunicação digital apresenta inovações a todo o momento e o trabalho de aculturamento é uma constante.
VI: O mercado de mídias digitais tem sido mais reconhecido como canal de comunicação. Qual sua visão sobre este panorama e qual sua expectativa quanto a atuação da ABRADi como agente colaborador para este crescimento?
CP: A comunicação digital tem um papel cada vez mais relevante dentro das empresas nos novos modelos de comunicação. Uma entidade como a ABRADi e seu posicionamento vai ser importante para fazer com que o mercado se torne cada vez mais amplo e mais justo.
VI: A ABRADi tem uma estratégia para aculturar o mercado sobre a abrangência e usabilidade das mídias digitais. Quais os pontos mais relevantes para este processo?
CP: Aculturamento se faz com discussão e debate de alto nível. Já no primeiro momento, montamos uma rede ning (www.redeabradi.ning.com) com mais de 700 membros que foram conquistados em menos de duas semanas. Temos vários projetos em que vamos chamar o mercado para o debate. Usaremos muito a capilaridade da ABRADi e as lideranças regionais para cumprir esse objetivo.
VI: Como um dos canais de comunicação para as mídias digitais, o segmento de email marketing vem crescendo de forma significativa. Qual o seu ponto de vista em relação à utilização desse canal e qual o panorama atual que ele se encontra? Continua a ser um forte propulsor para as campanhas? Quais os caminhos que deve seguir para que não seja confundido com spam?
CP: O email marketing, assim como o SEM (search engine marketing), a mídia (formatos padrões) e o trabalho com redes sociais já compõem hoje um mix de comunicação consagrado no ambiente digital que estão presentes em 90% das ações de comunicação da web. As políticas anti-spam baseadas nas boas práticas são importantes para disciplinar o mercado. As entidades ligadas a esse setor têm a responsabilidade de trabalhar pela autorregulamentação dessa prática e evitar que a utilização de email marketing seja confundida com o spam, que deve ser combatido.
VI: Como você vê as tendências que predominarão nos canais de mídias digitais? Os que conhecemos hoje permanecerão ou haverá uma transição por novos meios e novas tecnologias?
CP: Vivemos um ambiente de constante inovação e caminhamos para a utilização plena de novas plataformas e modelos de comunicação. Não podemos desconsiderar o enorme potencial da base instalada de mais de 120 milhões de telefones celulares que, em grande parte, acessam a web. Apesar de 80% deles serem pré-pagos e não terem plano de dados, várias ferramentas serão criadas, utilizando-se de ambas plataformas, oferecendo possibilidades para quem estiver “conectado” nessas mudanças.
VI: Você arriscaria uma visão futurista sobre um novo perfil do mercado de propaganda e marketing e das relações empresa/cliente, diante das mídias que conhecemos hoje?
CP: Costumo dizer que vivemos um mercado em transformação e a primeira grande atitude passa por aceitarmos isso. Os modelos de agências, no futuro, serão diferentes do que temos historicamente no modelo de negócios da propaganda no Brasil. Podemos ter convicção apenas de que essas empresas não deverão ser orientadas à mídia e sim empresas de serviços com alta base tecnológica e de grande valor agregado. As relações futuras serão baseadas na compra de serviços e planejamento e a compra de mídia apenas irá compor esse mix de serviços.